quarta-feira, 3 de julho de 2013

Era uma vez um amendoim...



Quem me conhece sabe que  sou enjoadinha para comer a beça. Não como qualquer coisa, não bebo qualquer coisa, não como em qualquer lugar (ok! Tem meia dúzia de pés sujos que fogem a essa regra). E consumir algo dessas barraquinhas de rua então... Aff! Não dá. Tá certo! Meu passado me condena. Já comi churrasquinho de gato na Pavuna, já comi podrão (cachorro-quente) da tia da esquina, mas tudo passado... Envelheci (e velho é cheio de manias) e me tornei mãe (e mãe tem que se cuidar porque não pode morrer). Pois bem. Hoje, euzinha voltando do trabalho,tomo um “tapa” no nariz com o cheiro daqueles amendoins açucarados que só vendem na rua. Pelo menos eu só vejo na rua... Sempre que passo por essas barraquinhas penso: “Que cheiro bom!”, e quando olho para o “recinto” penso: “Que nojo! Rua, poeira, mão suja, unha, cabelo, nojo nojo nojo! Nem de graça.”. Mas hoje foi diferente. Passei, senti o cheiro e, seguindo a orientação das amigas (não vou citar nomes, elas que se acusem!), falei para a Giselle de dentro de mim: “Cara, você precisa de anticorpos. Todo mundo come e está vivo. Logo você vai comer e vai morrer? Coragem! Lembra do lema do dia? FFF (Força, Foco e Fé). Tenha fé. Vá em frente”. E fui. Pedi o amendoim crocante, cheiroso e quentinho. A tia me pergunta se é para viagem. Claro que não. Se não perco a coragem. De posse da minha aventura, paro no semáforo (em plena Presidente Vargas) esperando para atravessar e sou abordada por dois pivetes. Pelo menos tinham cara, pinta e linguajar de pivete. Eles pararam do meu lado e eu gelei. Pensei: “Perdi. O que tem na minha bolsa mesmo? Aff. Maquiagem, documento do carro, minha carteira. Quanto de dinheiro que tenho? Aff aff aff”. Aí um dos sujeitos vira e diz: “Coé tia! Paga um amendoim pra rente!”. Vários erros nessa frase: 1- Coé é a mulher do garfo. Respeito comigo! 2- Tia não porque não sou irmã da sua mãe. 3- Pago não porque você quer que eu tire minha carteira do bolso para pegar meu dinheiro. 4-Rente é junto, se você não sabe. Claro que isso foi a Giselle do meu interior que falou para ela mesmo. Eu falei para ele: “Claro meu filho. Toma esse aqui que está quentinho!”. Sinal  verde para mim. Cheguei do outro lado mais rápido do que uma flecha. Mas deu tempo de ouvir: “Pô! Tia legal!”.
Moral da história (sim! HISTÓRIA, porque aconteceu de fato!): Eu não devo comer essas porcarias na rua. Sinal divino.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Perdida em Mesquita



Acreditem: é possível se perder em Mesquita. É possível que uma pessoa que mora em Mesquita se perca em Mesquita. Ok! Essa pessoa sou eu. Ok, de novo! Não tenho mesmo senso geográfico. Mas, na boa... não sabia que o meu município era “tão” grande. Eu não sabia nem que tinha Detran aqui. Pronto! Descoberta feita, CNH renovada, vamos lá buscá-la. Sim, buscá-la. Podemos então concluir que era, pelo menos, a segunda vez que estive naquele lugar. Me perdi na primeira vez (na ida de na volta). Dessa vez, me perdi somente na volta. Entro numa rua, saio em outra, e em mais outra sem saída. Volto tudo (ou parte do tudo), entro em outra rua e resolvo perguntar. Vou lembrá-los que o meu carro é estilo “do bonde”. Preto, filmado, mala que cabe um corpo. Paro em frente  a uma oficina com três homens. Eles devem estar devendo para alguém, porque ficaram bem assustados quando parei. Abaixo o vidro e falo com uma voz bem branda: “Bom dia senhores! Poderiam me informar como pego a Dutra sentido Rio?”. Eles se entreolham. Mudos. Aí um vira para o dois e diz: “Não, por ali é difícil para ela.”. Oi? Ali onde? Ele não falou ainda... Como pode saber se difícil para mim? Por que difícil para mim? Aff! Aí o três vira para mim e manda: “A senhora vai para o seu lado. Segue segue segue e vai indo. Quando chegar lá na frente a senhora vira.” Ah tá! Obrigada. Eu fui. Para o meu lado (entendi que era o esquerdo) e parei para pedir informação novamente. O senhorzinho me respondeu: “Esquerda, direita e esquerda de novo”. E lá estava ela me esperando. Via Dutra. E foi então que eu me perguntei: “Por que mesmo que eu não liguei o GPS?”.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Vamos cambiar?


Viajar. Ah!!! Viajar!!! Adoooro!!!! Mas o período pré-viagem exige cuidado, atenção e muito trabalho. Tudo para a viagem se concretizar um sonho e não um pesadelo. Tem quem prefira comprar um pacote de viagens com uma agência de turismo. Eu prefiro providenciar tudo sozinha. Daí a viagem já começa antes do embarque. Uma série de itens tem que ser providenciada: passagem aérea, hotel, locais a serem visitados, restaurantes para refeições, vacinas (sempre que necessário), fuso horário, moeda local, e por aí vai. A moeda então é um  caso a parte. Quando você viajar para Brasil, esquece. Um item a menos. Só tem que se preocupar com a diferença de preços entre as regiões. Agora se a viagem é para outro país, bate aquela dúvida: que moeda eu levo? Será que lá aceitam reais? Devo levar dólares? Obviamente se a moeda local é dólar, você vai levar dólar. Se a moeda local é euro, você vai levar euro. Mas e se for peso (argentino, chileno, uruguaio, filipino, mexicano, colombiano), Teca, Tenge, Lev, Metical, Balboa (não estou falando do Rocky, e sim da moeda do Panamá!) ou Novo Sol? Minha estratégia: levo alguns reais (vai que aceitam?!), alguns dólares americanos (sempre aceitam) e um travel card (podendo ser em dólar ou euro, visto que o saque é feito em moeda local). Acho mais seguro distribuir assim porque não corro o risco de não conseguir sacar da minha conta corrente e nem levar um susto com a cotação do dia do fechamento da fatura do cartão de crédito. E justo por conta do câmbio para a minha próxima viagem que estou escrevendo este texto. Chegamos à casa de câmbio e, curiosamente, estava com o balcão repleto de “cambiadores” (mais uma palavra inventada por mim, eu acho!). Pensei: ‘Nossa! O povo está viajando mesmo. Já vim aqui nesta mesma casa de câmbio em outras ocasiões e sempre entregue as moscas... ’. Um senhor me atende. ‘Por favor, qual a cotação do dólar para compra?’. Ele me informa e eu peço uma quantia, digamos... nem muito, nem pouco. Ele vira e rapidamente nos encaminha para uma cabine. Oi? Cabine? Eu e meu marido?. ‘Sim senhora, fique na cabine, por favor, e prepare a quantia que já trago os dólares’. Puxa! Me senti ‘a endinheirada’. Olhei o povo  no balcão e pensei: ‘seus pobres! Nem mandaram vocês para cabine!!’. Cabine quente. Apertada. Nós dois suando... Falei para o Fabio: ‘estamos de castigo? Somos feios? Ele pensa que vamos assustar ou roubar alguém e nos colocou aqui? Cadê ele que não volta com essa mixaria de dólares?’ E aí bateu o medo. Cara! Neguinho vai pensar que estamos cheios de dinheiro com esse circo todo e vão nos seguir, sequestrar, bater e roubar. E quando descobrirem que esse trabalho todo foi por conta de tão pouco, vão bater mais e nos desovar a gente em algum lugar. Caraca!!! Medo medo medo!!! E no meio da paranoia olho para baixo e o que eu vejo? Uma cabeça de alho atrás da porta. Uma cabeça de alho atrás da porta??? Sim!! Uma cabeça de alho atrás da porta. Cara, faz algum sentido para alguém? Se fosse uma loja perto de uma feira livre, poderia ter caído de algum carrinho, mas na Av. Rio Branco? Mostrei para o Fabio e, como já era de se esperar, comecei a rir. Sabe aquelas crises de riso que parece não ter fim? Fora de controle? Que você quer parar e não consegue? Meu marido falou: ‘Giselle, para que você esta ficando roxa!’. E nada. ‘Giselle, para que o homem vai voltar e você vai estar assim?’. E eu? Com a cabeça baixa, debruçada sobre a mesinha da cabine rindo, rindo, rindo, meio desesperada com a aquela situação toda. Pronto. Me controlei. Parei de rir. Cheia de lágrimas nos olhos e no rosto, mas sem rir. Entra o homem com os dólares e mando eu: ‘agora quero um travel card em Euro’. Ele: ‘Euro?’. Com os dólares na mão. ‘Você quer euro ou dólar?’. Ai meu padim padi ciço... Se eu quisesse travel card em dólar, teria pedido em dólar. Se eu pedi em euro, é porque quero em euro. Respirei fundo, olhos nos olhos do senhor para não correr o risco de olhar para baixo, dar de cara com o alho e ter outra crise de riso. Euro. Eu quero travel card em Euro. Ele fez uma cara de quem não entendeu bem, e me perguntou: ‘Vai ficar no seu nome ou do seu filho?’. Filho??? Oi??? Como ele sabe que eu tenho filho? Eu não falei isso para ele... Um abismo entre eu e o olhar dele... Aí ele, disposto a me irritar (só podia ser isso), ele aponta para o meu marido e manda de novo: ‘Ele não é o seu filho?’. PARA TUDO!!!! Para quem não conhece, o meu marido é DOIS longos nos mais velho do que eu. DOIS anos e  DOIS meses. INTEIROS!!! Acho que lancei o meu olhar mais aterrorizante para ele. ‘O QUE? O SENHOR ESTÁ LOUCO? ACHA QUE EU TENHO IDADE PARA SER MÃE DE UM MARMANJO DESSE? ELE É MEU MARIDO!!!!’. Fabio já em crise, segurando o ombro o senhor. ‘É melhor o senhor parar e não tentar se explicar. Depois vai sobrar pra mim!!’. O homem todo desconcertado: ‘Desculpe! É que eu estou olhando para a senhora e nem olhei para cara dele’. Como assim? Me orienta a entrar na cabine com um homem e nem olha para cara dele? E se fosse um assaltante? E se fosse um bandido? E se... E se... E ainda me diz que é meu filho? Homens, atenção!! Dica de sobrevivência. Na dúvida, não diga nada. ‘Ele’ pode ser o filho, pode ser o marido, pode ser o irmão, pode ser qualquer coisa. Agora, se você chutar, e chutar errado, quem pode ganhar um chute é você!!! Aff!! Por quê eu não chutei ele? Por quê? Por quê? Da próxima vez que precisar cambiar eu volto lá com o meu filho e vou falar para ele: ‘Senhor, eu quero dólares e também quero lhe apresentar O MEU FILHO!’. E se alguém encontrar esse senhor para aí, me façam um favor: digam que a cabeça de alho não vai funcionar se ele não colocar urgentemente um par de óculos. Vai que alguém tem um reflexo melhor que o meu e chuta ele?! Vai que...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O dia em que morri


O primeiro surto aéreo, ninguém esquece!

Não, eu não me orgulho disso. Mas publico o relato do meu primeiro (e espero que único) surto em pleno voo, pois graças a este acontecimento, e apesar de ter sido uma das experiências mais estranhas que já tive na vida, me fez ver a vida outros olhos.
Dia estressante. Em São Paulo. Longe da família. Filho sozinho em casa com o pai. Pai sozinho em casa com o filho. E a mãe/esposa longe sem poder cuidar dos dois. Mãe ligando às 6h da manhã avisando que o grande companheiro canino de quase 15 anos esta partindo para outra jornada. Reunião na IBM para análise de um modelo de dados com cerca de 100 objetos.Dia tumultuado. Tarde tumultuada. Chegada ao aeroporto com 2 horas de antecedência e impossibilitada, pela companhia aérea, de adiantar o vôo. Tensão. Muita tensão. As horas não passavam. E tudo que eu queria era chegar em casa e dar um último carinho para o meu filhote. Não sabia se ele realmente ainda estava vivo e precisava vê-lo, independente da situação. Eis que consigo embarcar e sinto um cheiro de queimado. Aí começa a minha mente criativa a trabalhar...
Chamo a comissária. “Está um cheiro de queimado lá na frente.” “Não senhora, não tem cheiro nenhum, a senhora deve ter se confundido porque estamos abastecendo”. Estão abastecendo? E tem cheiro de queimado? “Então comissária... justo por isso... não pode ter cheiro de queimado... explode!” Ela replica que está tudo certo e qualquer coisa me avisa. Me avisa? Se estivermos mortas vai me avisar como?O comandante avisa que estamos prontos para partir, mas precisam retirar a bagagem de dois passageiros que despacharam, mas não embarcaram. Por que não embarcaram? Por que? Só pode ser porque sentiram o cheiro de queimado e se recusaram a voar. Vão se salvar. Era o que eu deveria fazer...
A aeronave começa a taxiar. Barulho de cartolina sacudindo ao vento. Barulho de cartolina? What porra is that (me desculpem pelo palavrão, mas foi exatamente o que pensei)????? Já sei. Já entendi tudo. Por isso a CPM não expediu a passagem da minha colega de projeto. Pedimos as 3 viagens no mesmo email. Por que expediram as minhas 3 passagens e somente 2 dela? Por que chegou a MINHA HORA e não a dela.Vou morrer! Tenho 100% de certeza que vou morrer. Estou voando para morrer.E meu filho tão pequeno... (mas ele tem um ótimo pai e uma família que lhe dá total apoio). E a minha mãe, vai sofrer tanto (um filho não pode morrer antes dos pais... não pode). E o que será que o Fabio vai fazer o dinheiro do seguro? (tomara que ele pague logo o carro). Vou morrer. Vou morrer. Vou morrer. É. Posso morrer. Eu fiz TUDO o que queria fazer na vida (é por isso que não pode fazer tudo o que quer... quando o fizer, tem inventar outra coisa para fazer, se não você morre!). Trabalhei demais (mas e daí? Eu amo trabalhar... workaholic assumida, morrer trabalhando não é o que há!). Vou morrer. Vou morrer. Vou morrer.
Ah! Esqueci de mencionar que estava chorando. Não aos prantos (eu acho), só lágrimas rolando.
Turbulência. Turbulência??? Com esse tempo ótimo no RJ e em SP, que porra de turbulência é essa? Ah, lembrei! É a morte. É agora. Sacode. Sacode. Sacode. E para. Que paz... Que maravilha... Então realmente é assim que se morre. Você está vivo em um segundo, atravessa um portal e morreu. Estou morta.Escuto uma vozinha lá lá lá no fundo: “A senhora aceita?”. Penso:”Aceito?”. A vozinha insiste: “Aceita senhora?”. Eu:”Aceito? Quem? Jesus?” (afinal de contas, estou morta). “Aceito Jesus! Eu te aceito!”. Estava só pensando (eu acho). Não falando, só pensando (espero... mas meu marido que me conhece a quase 20 anos jura que eu deveria estar aos berros). E vozinha vira um vozeirão e grita comigo: “SENHORA! Aceita bebida?”. Abro bem os olhos e vejo a mesma comissária do cheiro de queimado com o carrinho de sucos e refris a minha frente. Penso:”Bebida? Estou viva? Sim. Estou viva!! Graças a Deus Senhor!! Estou viva!” “Um suco de laranja por favor”. É o máximo que consigo responder.
Hoje, duas semanas depois da minha morte (pois eu tinha plena certeza que estava morta), vejo minha vida por outro prisma. Vou continuar trabalhando muito (porque gosto!), vou continuar viajando muito (porque não levei comigo os bens que possuo, e sim o que vi e vivi), terei mais paciência com o próximo (eu vou tentar pelo menos) e vou declarar aos sete ventos, todos os dias,que a vida VALE MUITO A PENA para ser desperdiçada com bobagens. Tem que ser, de FATO, vivida ao lado das pessoas mais importantes da sua vida.Isso é o que vale a pena. Obrigada Deus, pela oportunidade de dizer aos MEUS e as MINHAS o quanto são importantes na minha vida. Obrigada Deus pela oportunidade de continuar participando desta louca e eletrizante experiência que é viver!!!!
Obs.: Sim. Eu estava pura!

O dia em que nasci


Hoje é meu aniversário. Hoje, 17 de outubro, comemoro 5 anos. Sim, você não leu errado. Faço 5 anos hoje. Lembro perfeitamente do meu nascimento. Deitada num centro cirúrgico, com o meu marido emocionado e tremendo... Uma equipe médica muito louca (cantando uma música de anões eu acho?!) e eu (advinhe!) chorando, pois naquele momento nascia a Giselle de sobrenome Mãe do Bernardo. Quando nasci, ouvi o som mais lindo que uma mãe pode ouvir: o primeiro chorinho do seu bebê. Depois que seu filho nasce você passa a ser a “fulana mãe do beltrano” e não, simplesmente, você. Como adoro isso. Como adoro quando me perguntam: “você é a mãe do Bernardo?”. Tenho vontade de pular, saltitar e dar estrelas e gritar: sim!! Sou eu!!! Mãe daquele menino espetacular!!! Hoje meu bebê faz aniversário e já é um belo rapazinho. Cheio de opinião. Personalidade em pessoa. Filho Bernardo Nunes, que orgulho tenho de você. Como sempre te digo, todos os dias, você é a razão do meu viver. O Sol do meu dia. A Lua da minha noite. O meu menino. O meu amado. A minha vida!!! Te amo filho!!!! Feliz Aniversário!!! Papai Fabio Nunes, leia para ele porque estou chorando e ele pode se assustar! :)

Viajando na Janela


Queridos companheiros de projeto: viajar sem vocês é muito chato! Mas preciso contar que hoje fui para São Paulo chique demais. Ocupei uma daquelas poltronas no início da aeronave que tem a poltrona do meio bloqueada. Aquelas que as passagens são mais caras porque você tem que pagar para se declarar: ‘Sim! Sou antissocial e não quero ninguém do meu lado’. Claaaaaro que a passagem comprada para mim não era para essa “catigoria”. Mas nós somos treinadas é no Japeri, né não amigas 'néns'? Ném que é ném tem treino intensivo no Japeri. Somos acostumadas a correr para pegar lugar para sentar. Tá... tudo bem... eu não corro. Mas assisto como o povo faz e tenho memória fotográfica. Aprendo rápido. Estava eu na minha poltrona do meio, me sentindo meio oprimida. Na verdade, me sentindo imprensada mesmo. Entre dois gigantes. Meus ombrinhos meio côncavos. Pensei: ‘vai ser flórida essa viagem’. Quando a comissária anunciou ‘embarque encerrado’, eu, com meus olhos verdes treinados diariamente na Central do Brasil avistei um lugar vago na janela. Incorporei Gafanhoto San e pedi delicadamente para o gigante da direita: ‘Com licença por favor. Vou sentar ali para vocês ficarem mais a vontade (voz serena e sorriso angelical)’. Por dentro eu dizia: ‘Saaaaaaai!!!! Alguém vai sentar na porra do lugar que esta vazio. Saaaaaaai!!!!!’. Desculpe o palavrão gente, mas foi o que pensei. Acho que dei uma corridinha. Não estou certa. Mas sentei e fechei os olhos até o avião decolar. Vai que a comissária está acompanhando a operação e me obriga a abortar a missão?! Pior do que isso... E se ela diz: ‘Querida! Volte para o seu lugar. Não venha contaminar a first class!!’. Orgulho de mim. Eu sabia que os anos de treino no Japeri iam servir para alguma coisa. Estou escrevendo este relato para vocês no conforto da poltrona da janela e sem NINGUÉM do meu lado. E o melhor: não paguei nada por isso!!!! :)

Que saudade da infância



Meu filho de 5 anos recém completados tem repetido constantemente que quer voltar a ser um bebê fofo. Já está sentindo as responsabilidades da vida de um “menino de 5 anos”. Assistindo a reportagem do Fantástico sobre um casa idealizada por um artista plástico francês, me senti inspirada a voltar na época em que era criança. Que época boa!!! Lembro de ser acordada pelo meu pai para irmos a casa da Vó Maria às 6h da manhã de domingo. Por que às 6h da manhã? Vá saber... Mas levantava toda serelepe. Tomava minha vitamina dominical preparada pelo meu pai para engordar a filha magrela (Caracu com ovo e canela! Acreditem, era gostoso!). Ele conseguiu o queria. Mesmo que anos depois... Mas voltando ao meu domingo perdido em algum cantinho da minha memória, lá ia eu, acordar minha irmã e partíamos para casa da nossa avó paterna. Casa com detalhes tão marcantes. O pé de jenipapo, de carambola, de jabuticaba... Acho que sou capaz de ouvir a voz tão meiga da minha vovozinha. Lembro do cheiro da sua casa. Da cristaleira cheia de porcelanas tão delicadas. Do grande relógio na sala. Do meu avô tenho duas fortes lembranças: o chapéu (sempre impecável) e do chicote, sempre pendurado ao lado da porta. Não sei bem para que ele usava o tal chicote. Para o cavalo, creio eu... Mesmo sem existir mais o tal cavalo, lá estava o imponente chicote. Nos despedíamos com meus avós no portão e bolso cheio de moedinhas. Adorava as moedinhas. Mas não ia lá por conta delas, que isso fique bem claro! Íamos embora com a certeza que encontraríamos minha mãe na cozinha preparando o nosso almoço, servido pontualmente às 11h da manhã. A pia com os legumes, verduras e todos os ingredientes do almoço espalhados por lá. Que lembrança viva. Que saudades de quando era criança. Saudades de todos ao redor da mesa almoçando com UMA garrafa de Simba (quem lembra?). Saudades da tarde preguiçosa que demorava a passar. Saudades de sentir frio à noite e correr para a cama da minha irmã. Saudades de escrever no meu diário. Saudades do cheiro da comida da minha mãe. Saudades do meu pai. Meu filho tem razão. Quero ser criança novamente. Ser adulto é muito hard!!!

Eis que nasce uma mulata


Estava eu lá. Quieta no meu canto no céu. E disse Deus: ‘Vai filha! Vai que esse céu não te pertence mais. Vais para o ventre de uma mulher negra, casada com um brasileiro descendente de italianos, moradores do Rio de Janeiro (só não deixou claro que não era na CIDADE do Rio de Janeiro, e sim num canto tão tão distante no ESTADO do Rio de Janeiro) e vá ser feliz!!!’. Não sei se foi exatamente isso que me disseram quando saí do céu, mas deve ter sido algo parecido. E então minha mãe, salvo engano... brigada com o meu pai, vai para maternidade para o nascimento desse anjinho que vos fala. Vocês já imaginaram como deve ser difícil para uma mulher negra ter uma filha branca (se é que podemos dizer que existe branco no Brasil!), loira de olhos azuis? Sim, loira de olhos azuis. Hoje sou loira por escolha (melhor do que dizer que tinjo o cabelo) e o meus olhos, como são muito indecisos, são verde e mel ao mesmo tempo. Mas focando na minha mãe, ela sofreu muito preconceito. Ouvi diversas vezes ela contar sobre um dia que me levou ao parque e fiquei lá fazendo pirraça e chorando (como toda criança normal faz!) e uma mulher a interpelou dizendo que iria chamar a polícia porque ela devia estar me sequestrando. Eis que aparece o seu salvador: meu pai. Branco, magrelo, alto, cabelos tão lisos que davam nojo, olhos cor de mel e uma educação que beirava a zero. Botou a mulher para correr, lhe dizendo poucas e boas. Esse era o meu pai. Dizia poucas e boas para qualquer um que o aborrecesse. E com este cenário, aprendi desde cedo a defender a miscigenação das raças. Desde pequena, quando percebiam que as pessoas ficavam surpresas ao verem que minha mãe era negra, eu respondia (como a mãozinha na cintura):”Vocês já ouviram falar em pai? Então. Meu pai é branco e minha mãe é negra. Eu tenho a cor da pele, a cor dos olhos e o cabelo do meu pai (tá bem... não tão lisos quanto os dele, mas chega perto!), mas sou a cara da minha mãe. Repare só!”. E as pessoas ficavam surpresas, deixando-se romper a barreira do preconceito, com tamanha semelhança. Esta foi a primeira grande lição da minha vida: não permitir que o preconceito cegue os olhos da nossa alma. Sim, porque os olhos do nosso corpo podem ser enganados. Podem ficar embaçados. Podem até não enxergar nada. Mas os olhos da nossa alma, não. Eles enxergam a essência do que estamos olhando. Eles permitem que enxerguemos além dos olhos físicos. Eles permitem que vejamos o próximo como realmente é. Minha mãe é negra. Me orgulho dela. Meu pai é branco. Me orgulho dele. Ou seja, negro ou branco, não faz diferença. O que importa são as pessoas. Aliás, lembrei de uma aula do primário, quando ele ainda se chamava assim.  Um descendente de branco com negro é o que? Cafuso, mulato ou mameluco? Sim! Acertou!!! Muito bem!!! Mulato! Eu sou mulata!!!!! Uhhuuu!!! Branquela, de olhos verdes/mel e MULATA!!!!

E lá vem ela



Olá! (É assim que costumo cumprimentar as pessoas). Meu nome é Giselle e tenho uma vida extremamente comum. Tão comum que é bem capaz que 12 entre 12 pessoas que leiam a minha história, se identifiquem com ela (ou pelo menos parte dela). Tenho 24 anos (mentira, mas é para vocês irem se acostumando que sempre minto a minha idade!), sou casada com o quinto Fabio que namorei (eu sabia que encontraria um Fabio para chamar de meu!), trabalho 12 horas por dia (8 horas como arquiteta de dados e 4 horas como professora universitária), moro na Baixada Fluminense (ok! Não é por escolha. Nasci aqui e fui ficando), sou filha de pais separados (na verdade, eu me separei deles antes deles se separem), tenho uma irmã mais velha (a qual carinhosamente chamo de irmã – óbvio!) e tenho o filho mais lindo e esperto do mundo (você pode achar que o seu é o mais esperto/lindo e eu acho que é o meu, e assim ficamos combinados!). Sou graduada, pós-graduada, mestrada (acabei de inventar esta palavra), corredora (bem menos do que gostaria), turista (sempre que possível, e bem menos do que eu gostaria), esposa/mãe/filha/irmã/tia/sobrinha/nora/cunhada/amiga (com toda intensidade que se espera de uma esposa/mãe/filha/irmã/tia/sobrinha/nora/cunhada/amiga), capoerista (na verdade não comecei ainda, mas já saio espalhando que sou), praticante de esporte de aventura e uma eterna escritora. Escrevo sobre tudo e sobre qualquer coisa. Um dia uma amiga me disse que eu deveria escrever sobre a minha vida. Pensei? “Quem vai querer saber sobre a minha vida? Uma vida tão normal... Esta aí! É tão normal que as pessoas podem se interessar sobre a minha história. Vai que consigo ajudar a alguém de alguma forma?! Vai que...”. Pronto! Dado o desafio, aqui estou eu: escrevendo sobre quem sou e como levo a minha “simples” vida, a qual vivo intensamente, cada minuto, cada segundo, como se não houvesse amanhã (acho que colei de uma música?!).