quarta-feira, 3 de julho de 2013

Era uma vez um amendoim...



Quem me conhece sabe que  sou enjoadinha para comer a beça. Não como qualquer coisa, não bebo qualquer coisa, não como em qualquer lugar (ok! Tem meia dúzia de pés sujos que fogem a essa regra). E consumir algo dessas barraquinhas de rua então... Aff! Não dá. Tá certo! Meu passado me condena. Já comi churrasquinho de gato na Pavuna, já comi podrão (cachorro-quente) da tia da esquina, mas tudo passado... Envelheci (e velho é cheio de manias) e me tornei mãe (e mãe tem que se cuidar porque não pode morrer). Pois bem. Hoje, euzinha voltando do trabalho,tomo um “tapa” no nariz com o cheiro daqueles amendoins açucarados que só vendem na rua. Pelo menos eu só vejo na rua... Sempre que passo por essas barraquinhas penso: “Que cheiro bom!”, e quando olho para o “recinto” penso: “Que nojo! Rua, poeira, mão suja, unha, cabelo, nojo nojo nojo! Nem de graça.”. Mas hoje foi diferente. Passei, senti o cheiro e, seguindo a orientação das amigas (não vou citar nomes, elas que se acusem!), falei para a Giselle de dentro de mim: “Cara, você precisa de anticorpos. Todo mundo come e está vivo. Logo você vai comer e vai morrer? Coragem! Lembra do lema do dia? FFF (Força, Foco e Fé). Tenha fé. Vá em frente”. E fui. Pedi o amendoim crocante, cheiroso e quentinho. A tia me pergunta se é para viagem. Claro que não. Se não perco a coragem. De posse da minha aventura, paro no semáforo (em plena Presidente Vargas) esperando para atravessar e sou abordada por dois pivetes. Pelo menos tinham cara, pinta e linguajar de pivete. Eles pararam do meu lado e eu gelei. Pensei: “Perdi. O que tem na minha bolsa mesmo? Aff. Maquiagem, documento do carro, minha carteira. Quanto de dinheiro que tenho? Aff aff aff”. Aí um dos sujeitos vira e diz: “Coé tia! Paga um amendoim pra rente!”. Vários erros nessa frase: 1- Coé é a mulher do garfo. Respeito comigo! 2- Tia não porque não sou irmã da sua mãe. 3- Pago não porque você quer que eu tire minha carteira do bolso para pegar meu dinheiro. 4-Rente é junto, se você não sabe. Claro que isso foi a Giselle do meu interior que falou para ela mesmo. Eu falei para ele: “Claro meu filho. Toma esse aqui que está quentinho!”. Sinal  verde para mim. Cheguei do outro lado mais rápido do que uma flecha. Mas deu tempo de ouvir: “Pô! Tia legal!”.
Moral da história (sim! HISTÓRIA, porque aconteceu de fato!): Eu não devo comer essas porcarias na rua. Sinal divino.