Estava eu lá. Quieta no meu canto no céu. E disse Deus: ‘Vai filha! Vai que esse céu não te pertence mais. Vais para o ventre de uma mulher negra, casada com um brasileiro descendente de italianos, moradores do Rio de Janeiro (só não deixou claro que não era na CIDADE do Rio de Janeiro, e sim num canto tão tão distante no ESTADO do Rio de Janeiro) e vá ser feliz!!!’. Não sei se foi exatamente isso que me disseram quando saí do céu, mas deve ter sido algo parecido. E então minha mãe, salvo engano... brigada com o meu pai, vai para maternidade para o nascimento desse anjinho que vos fala. Vocês já imaginaram como deve ser difícil para uma mulher negra ter uma filha branca (se é que podemos dizer que existe branco no Brasil!), loira de olhos azuis? Sim, loira de olhos azuis. Hoje sou loira por escolha (melhor do que dizer que tinjo o cabelo) e o meus olhos, como são muito indecisos, são verde e mel ao mesmo tempo. Mas focando na minha mãe, ela sofreu muito preconceito. Ouvi diversas vezes ela contar sobre um dia que me levou ao parque e fiquei lá fazendo pirraça e chorando (como toda criança normal faz!) e uma mulher a interpelou dizendo que iria chamar a polícia porque ela devia estar me sequestrando. Eis que aparece o seu salvador: meu pai. Branco, magrelo, alto, cabelos tão lisos que davam nojo, olhos cor de mel e uma educação que beirava a zero. Botou a mulher para correr, lhe dizendo poucas e boas. Esse era o meu pai. Dizia poucas e boas para qualquer um que o aborrecesse. E com este cenário, aprendi desde cedo a defender a miscigenação das raças. Desde pequena, quando percebiam que as pessoas ficavam surpresas ao verem que minha mãe era negra, eu respondia (como a mãozinha na cintura):”Vocês já ouviram falar em pai? Então. Meu pai é branco e minha mãe é negra. Eu tenho a cor da pele, a cor dos olhos e o cabelo do meu pai (tá bem... não tão lisos quanto os dele, mas chega perto!), mas sou a cara da minha mãe. Repare só!”. E as pessoas ficavam surpresas, deixando-se romper a barreira do preconceito, com tamanha semelhança. Esta foi a primeira grande lição da minha vida: não permitir que o preconceito cegue os olhos da nossa alma. Sim, porque os olhos do nosso corpo podem ser enganados. Podem ficar embaçados. Podem até não enxergar nada. Mas os olhos da nossa alma, não. Eles enxergam a essência do que estamos olhando. Eles permitem que enxerguemos além dos olhos físicos. Eles permitem que vejamos o próximo como realmente é. Minha mãe é negra. Me orgulho dela. Meu pai é branco. Me orgulho dele. Ou seja, negro ou branco, não faz diferença. O que importa são as pessoas. Aliás, lembrei de uma aula do primário, quando ele ainda se chamava assim. Um descendente de branco com negro é o que? Cafuso, mulato ou mameluco? Sim! Acertou!!! Muito bem!!! Mulato! Eu sou mulata!!!!! Uhhuuu!!! Branquela, de olhos verdes/mel e MULATA!!!!
Sabe aquela pessoa que passa pelas situações mais inusitadas possíveis? Essa pessoa sou eu! Giselle Batalha, muito prazer!!! Neste blog você encontrará relatos de algumas dessas situações. Boa leitura! :)
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Eis que nasce uma mulata
Estava eu lá. Quieta no meu canto no céu. E disse Deus: ‘Vai filha! Vai que esse céu não te pertence mais. Vais para o ventre de uma mulher negra, casada com um brasileiro descendente de italianos, moradores do Rio de Janeiro (só não deixou claro que não era na CIDADE do Rio de Janeiro, e sim num canto tão tão distante no ESTADO do Rio de Janeiro) e vá ser feliz!!!’. Não sei se foi exatamente isso que me disseram quando saí do céu, mas deve ter sido algo parecido. E então minha mãe, salvo engano... brigada com o meu pai, vai para maternidade para o nascimento desse anjinho que vos fala. Vocês já imaginaram como deve ser difícil para uma mulher negra ter uma filha branca (se é que podemos dizer que existe branco no Brasil!), loira de olhos azuis? Sim, loira de olhos azuis. Hoje sou loira por escolha (melhor do que dizer que tinjo o cabelo) e o meus olhos, como são muito indecisos, são verde e mel ao mesmo tempo. Mas focando na minha mãe, ela sofreu muito preconceito. Ouvi diversas vezes ela contar sobre um dia que me levou ao parque e fiquei lá fazendo pirraça e chorando (como toda criança normal faz!) e uma mulher a interpelou dizendo que iria chamar a polícia porque ela devia estar me sequestrando. Eis que aparece o seu salvador: meu pai. Branco, magrelo, alto, cabelos tão lisos que davam nojo, olhos cor de mel e uma educação que beirava a zero. Botou a mulher para correr, lhe dizendo poucas e boas. Esse era o meu pai. Dizia poucas e boas para qualquer um que o aborrecesse. E com este cenário, aprendi desde cedo a defender a miscigenação das raças. Desde pequena, quando percebiam que as pessoas ficavam surpresas ao verem que minha mãe era negra, eu respondia (como a mãozinha na cintura):”Vocês já ouviram falar em pai? Então. Meu pai é branco e minha mãe é negra. Eu tenho a cor da pele, a cor dos olhos e o cabelo do meu pai (tá bem... não tão lisos quanto os dele, mas chega perto!), mas sou a cara da minha mãe. Repare só!”. E as pessoas ficavam surpresas, deixando-se romper a barreira do preconceito, com tamanha semelhança. Esta foi a primeira grande lição da minha vida: não permitir que o preconceito cegue os olhos da nossa alma. Sim, porque os olhos do nosso corpo podem ser enganados. Podem ficar embaçados. Podem até não enxergar nada. Mas os olhos da nossa alma, não. Eles enxergam a essência do que estamos olhando. Eles permitem que enxerguemos além dos olhos físicos. Eles permitem que vejamos o próximo como realmente é. Minha mãe é negra. Me orgulho dela. Meu pai é branco. Me orgulho dele. Ou seja, negro ou branco, não faz diferença. O que importa são as pessoas. Aliás, lembrei de uma aula do primário, quando ele ainda se chamava assim. Um descendente de branco com negro é o que? Cafuso, mulato ou mameluco? Sim! Acertou!!! Muito bem!!! Mulato! Eu sou mulata!!!!! Uhhuuu!!! Branquela, de olhos verdes/mel e MULATA!!!!
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É engraçado pensar em vc como mulata, mas é a pura verdade. Viva o Brasil. Viva a mistura.
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