Viajar. Ah!!! Viajar!!!
Adoooro!!!! Mas o período pré-viagem exige cuidado, atenção e muito trabalho.
Tudo para a viagem se concretizar um sonho e não um pesadelo. Tem quem prefira
comprar um pacote de viagens com uma agência de turismo. Eu prefiro
providenciar tudo sozinha. Daí a viagem já começa antes do embarque. Uma série
de itens tem que ser providenciada: passagem aérea, hotel, locais a serem visitados,
restaurantes para refeições, vacinas (sempre que necessário), fuso horário, moeda
local, e por aí vai. A moeda então é um
caso a parte. Quando você viajar para Brasil, esquece. Um item a menos.
Só tem que se preocupar com a diferença de preços entre as regiões. Agora se a
viagem é para outro país, bate aquela dúvida: que moeda eu levo? Será que lá
aceitam reais? Devo levar dólares? Obviamente se a moeda local é dólar, você
vai levar dólar. Se a moeda local é euro, você vai levar euro. Mas e se for peso
(argentino, chileno, uruguaio, filipino, mexicano, colombiano), Teca, Tenge, Lev,
Metical, Balboa (não estou falando do Rocky, e sim da moeda do Panamá!) ou Novo
Sol? Minha estratégia: levo alguns reais (vai que aceitam?!), alguns dólares americanos
(sempre aceitam) e um travel card (podendo ser em dólar ou euro, visto que o
saque é feito em moeda local). Acho mais seguro distribuir assim porque não corro
o risco de não conseguir sacar da minha conta corrente e nem levar um susto com
a cotação do dia do fechamento da fatura do cartão de crédito. E justo por conta
do câmbio para a minha próxima viagem que estou escrevendo este texto. Chegamos
à casa de câmbio e, curiosamente, estava com o balcão repleto de “cambiadores” (mais uma palavra inventada
por mim, eu acho!). Pensei: ‘Nossa! O povo está viajando mesmo. Já vim aqui
nesta mesma casa de câmbio em outras ocasiões e sempre entregue as moscas... ’.
Um senhor me atende. ‘Por favor, qual a cotação do dólar para compra?’. Ele me
informa e eu peço uma quantia, digamos... nem muito, nem pouco. Ele vira e
rapidamente nos encaminha para uma cabine. Oi? Cabine? Eu e meu marido?. ‘Sim
senhora, fique na cabine, por favor, e prepare a quantia que já trago os
dólares’. Puxa! Me senti ‘a endinheirada’. Olhei o povo no balcão e pensei: ‘seus pobres! Nem
mandaram vocês para cabine!!’. Cabine quente. Apertada. Nós dois suando... Falei
para o Fabio: ‘estamos de castigo? Somos feios? Ele pensa que vamos assustar ou
roubar alguém e nos colocou aqui? Cadê ele que não volta com essa mixaria de
dólares?’ E aí bateu o medo. Cara! Neguinho vai pensar que estamos cheios de
dinheiro com esse circo todo e vão nos seguir, sequestrar, bater e roubar. E
quando descobrirem que esse trabalho todo foi por conta de tão pouco, vão bater
mais e nos desovar a gente em algum lugar. Caraca!!! Medo medo medo!!! E no
meio da paranoia olho para baixo e o que eu vejo? Uma cabeça de alho atrás da
porta. Uma cabeça de alho atrás da porta??? Sim!! Uma cabeça de alho atrás da
porta. Cara, faz algum sentido para alguém? Se fosse uma loja perto de uma
feira livre, poderia ter caído de algum carrinho, mas na Av. Rio Branco?
Mostrei para o Fabio e, como já era de se esperar, comecei a rir. Sabe aquelas
crises de riso que parece não ter fim? Fora de controle? Que você quer parar e
não consegue? Meu marido falou: ‘Giselle, para que você esta ficando roxa!’. E
nada. ‘Giselle, para que o homem vai voltar e você vai estar assim?’. E eu? Com
a cabeça baixa, debruçada sobre a mesinha da cabine rindo, rindo, rindo, meio
desesperada com a aquela situação toda. Pronto. Me controlei. Parei de rir.
Cheia de lágrimas nos olhos e no rosto, mas sem rir. Entra o homem com os
dólares e mando eu: ‘agora quero um travel card em Euro’. Ele: ‘Euro?’. Com os
dólares na mão. ‘Você quer euro ou dólar?’. Ai meu padim padi ciço... Se eu
quisesse travel card em dólar, teria pedido em dólar. Se eu pedi em euro, é
porque quero em euro. Respirei fundo, olhos nos olhos do senhor para não correr
o risco de olhar para baixo, dar de cara com o alho e ter outra crise de riso.
Euro. Eu quero travel card em Euro. Ele fez uma cara de quem não entendeu bem,
e me perguntou: ‘Vai ficar no seu nome ou do seu filho?’. Filho??? Oi??? Como
ele sabe que eu tenho filho? Eu não falei isso para ele... Um abismo entre eu e
o olhar dele... Aí ele, disposto a me irritar (só podia ser isso), ele aponta para o meu marido e manda de
novo: ‘Ele não é o seu filho?’. PARA TUDO!!!! Para quem não conhece, o meu marido é DOIS longos nos mais velho do que eu. DOIS anos e DOIS meses. INTEIROS!!! Acho que lancei o meu olhar mais
aterrorizante para ele. ‘O QUE? O SENHOR ESTÁ LOUCO? ACHA QUE EU TENHO IDADE
PARA SER MÃE DE UM MARMANJO DESSE? ELE É MEU MARIDO!!!!’. Fabio já em crise,
segurando o ombro o senhor. ‘É melhor o senhor parar e não tentar se explicar.
Depois vai sobrar pra mim!!’. O homem todo desconcertado: ‘Desculpe! É que eu
estou olhando para a senhora e nem olhei para cara dele’. Como assim? Me orienta
a entrar na cabine com um homem e nem olha para cara dele? E se fosse um assaltante?
E se fosse um bandido? E se... E se... E ainda me diz que é meu filho? Homens,
atenção!! Dica de sobrevivência. Na dúvida, não diga nada. ‘Ele’ pode ser o
filho, pode ser o marido, pode ser o irmão, pode ser qualquer coisa. Agora, se
você chutar, e chutar errado, quem pode ganhar um chute é você!!! Aff!! Por quê
eu não chutei ele? Por quê? Por quê? Da próxima vez que precisar cambiar eu
volto lá com o meu filho e vou falar para ele: ‘Senhor, eu quero dólares e também
quero lhe apresentar O MEU FILHO!’. E se alguém encontrar esse senhor para aí,
me façam um favor: digam que a cabeça de alho não vai funcionar se ele não
colocar urgentemente um par de óculos. Vai que alguém tem um reflexo melhor que
o meu e chuta ele?! Vai que...
Sabe aquela pessoa que passa pelas situações mais inusitadas possíveis? Essa pessoa sou eu! Giselle Batalha, muito prazer!!! Neste blog você encontrará relatos de algumas dessas situações. Boa leitura! :)
sábado, 12 de janeiro de 2013
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
O dia em que morri
O primeiro surto aéreo, ninguém esquece!
Não, eu não me orgulho disso. Mas publico o relato do meu primeiro (e espero que único) surto em pleno voo, pois graças a este acontecimento, e apesar de ter sido uma das experiências mais estranhas que já tive na vida, me fez ver a vida outros olhos.
Dia estressante. Em São Paulo. Longe da família. Filho sozinho em casa com o pai. Pai sozinho em casa com o filho. E a mãe/esposa longe sem poder cuidar dos dois. Mãe ligando às 6h da manhã avisando que o grande companheiro canino de quase 15 anos esta partindo para outra jornada. Reunião na IBM para análise de um modelo de dados com cerca de 100 objetos.Dia tumultuado. Tarde tumultuada. Chegada ao aeroporto com 2 horas de antecedência e impossibilitada, pela companhia aérea, de adiantar o vôo. Tensão. Muita tensão. As horas não passavam. E tudo que eu queria era chegar em casa e dar um último carinho para o meu filhote. Não sabia se ele realmente ainda estava vivo e precisava vê-lo, independente da situação. Eis que consigo embarcar e sinto um cheiro de queimado. Aí começa a minha mente criativa a trabalhar...
Chamo a comissária. “Está um cheiro de queimado lá na frente.” “Não senhora, não tem cheiro nenhum, a senhora deve ter se confundido porque estamos abastecendo”. Estão abastecendo? E tem cheiro de queimado? “Então comissária... justo por isso... não pode ter cheiro de queimado... explode!” Ela replica que está tudo certo e qualquer coisa me avisa. Me avisa? Se estivermos mortas vai me avisar como?O comandante avisa que estamos prontos para partir, mas precisam retirar a bagagem de dois passageiros que despacharam, mas não embarcaram. Por que não embarcaram? Por que? Só pode ser porque sentiram o cheiro de queimado e se recusaram a voar. Vão se salvar. Era o que eu deveria fazer...
A aeronave começa a taxiar. Barulho de cartolina sacudindo ao vento. Barulho de cartolina? What porra is that (me desculpem pelo palavrão, mas foi exatamente o que pensei)????? Já sei. Já entendi tudo. Por isso a CPM não expediu a passagem da minha colega de projeto. Pedimos as 3 viagens no mesmo email. Por que expediram as minhas 3 passagens e somente 2 dela? Por que chegou a MINHA HORA e não a dela.Vou morrer! Tenho 100% de certeza que vou morrer. Estou voando para morrer.E meu filho tão pequeno... (mas ele tem um ótimo pai e uma família que lhe dá total apoio). E a minha mãe, vai sofrer tanto (um filho não pode morrer antes dos pais... não pode). E o que será que o Fabio vai fazer o dinheiro do seguro? (tomara que ele pague logo o carro). Vou morrer. Vou morrer. Vou morrer. É. Posso morrer. Eu fiz TUDO o que queria fazer na vida (é por isso que não pode fazer tudo o que quer... quando o fizer, tem inventar outra coisa para fazer, se não você morre!). Trabalhei demais (mas e daí? Eu amo trabalhar... workaholic assumida, morrer trabalhando não é o que há!). Vou morrer. Vou morrer. Vou morrer.
Ah! Esqueci de mencionar que estava chorando. Não aos prantos (eu acho), só lágrimas rolando.
Turbulência. Turbulência??? Com esse tempo ótimo no RJ e em SP, que porra de turbulência é essa? Ah, lembrei! É a morte. É agora. Sacode. Sacode. Sacode. E para. Que paz... Que maravilha... Então realmente é assim que se morre. Você está vivo em um segundo, atravessa um portal e morreu. Estou morta.Escuto uma vozinha lá lá lá no fundo: “A senhora aceita?”. Penso:”Aceito?”. A vozinha insiste: “Aceita senhora?”. Eu:”Aceito? Quem? Jesus?” (afinal de contas, estou morta). “Aceito Jesus! Eu te aceito!”. Estava só pensando (eu acho). Não falando, só pensando (espero... mas meu marido que me conhece a quase 20 anos jura que eu deveria estar aos berros). E vozinha vira um vozeirão e grita comigo: “SENHORA! Aceita bebida?”. Abro bem os olhos e vejo a mesma comissária do cheiro de queimado com o carrinho de sucos e refris a minha frente. Penso:”Bebida? Estou viva? Sim. Estou viva!! Graças a Deus Senhor!! Estou viva!” “Um suco de laranja por favor”. É o máximo que consigo responder.
Hoje, duas semanas depois da minha morte (pois eu tinha plena certeza que estava morta), vejo minha vida por outro prisma. Vou continuar trabalhando muito (porque gosto!), vou continuar viajando muito (porque não levei comigo os bens que possuo, e sim o que vi e vivi), terei mais paciência com o próximo (eu vou tentar pelo menos) e vou declarar aos sete ventos, todos os dias,que a vida VALE MUITO A PENA para ser desperdiçada com bobagens. Tem que ser, de FATO, vivida ao lado das pessoas mais importantes da sua vida.Isso é o que vale a pena. Obrigada Deus, pela oportunidade de dizer aos MEUS e as MINHAS o quanto são importantes na minha vida. Obrigada Deus pela oportunidade de continuar participando desta louca e eletrizante experiência que é viver!!!!
Obs.: Sim. Eu estava pura!
O dia em que nasci
Hoje é meu aniversário. Hoje, 17 de outubro, comemoro
5 anos. Sim, você não leu errado. Faço 5 anos hoje. Lembro perfeitamente do meu
nascimento. Deitada num centro cirúrgico, com o meu marido emocionado e
tremendo... Uma equipe médica muito louca (cantando uma música de anões eu
acho?!) e eu (advinhe!) chorando, pois naquele momento nascia a Giselle de
sobrenome Mãe do Bernardo. Quando nasci, ouvi o som mais lindo que uma mãe pode ouvir: o primeiro chorinho do seu bebê. Depois que
seu filho nasce você passa a ser a “fulana mãe do beltrano” e não,
simplesmente, você. Como adoro isso. Como adoro quando me perguntam: “você é a
mãe do Bernardo?”. Tenho vontade de pular, saltitar e dar estrelas e gritar:
sim!! Sou eu!!! Mãe daquele menino espetacular!!! Hoje meu bebê faz aniversário
e já é um belo rapazinho. Cheio de opinião. Personalidade em pessoa. Filho
Bernardo Nunes, que orgulho tenho de você. Como sempre te digo, todos os dias,
você é a razão do meu viver. O Sol do meu dia. A Lua da minha noite. O meu
menino. O meu amado. A minha vida!!! Te amo filho!!!! Feliz Aniversário!!!
Papai Fabio Nunes, leia para ele porque estou chorando e ele pode se assustar!
:)
Viajando na Janela
Queridos companheiros de projeto: viajar sem vocês é
muito chato! Mas preciso contar que hoje fui para São Paulo chique demais. Ocupei uma
daquelas poltronas no início da aeronave que tem a poltrona do meio bloqueada.
Aquelas que as passagens são mais caras porque você tem que pagar para se
declarar: ‘Sim! Sou antissocial e não quero ninguém do meu lado’. Claaaaaro que
a passagem comprada para mim não era para essa “catigoria”. Mas nós somos
treinadas é no Japeri, né não amigas 'néns'? Ném que é ném tem treino intensivo no Japeri. Somos
acostumadas a correr para pegar lugar para sentar. Tá... tudo bem... eu não
corro. Mas assisto como o povo faz e tenho memória fotográfica. Aprendo rápido.
Estava eu na minha poltrona do meio, me sentindo meio oprimida. Na verdade, me
sentindo imprensada mesmo. Entre dois gigantes. Meus ombrinhos meio côncavos.
Pensei: ‘vai ser flórida essa viagem’. Quando a comissária anunciou ‘embarque
encerrado’, eu, com meus olhos verdes treinados diariamente na Central do
Brasil avistei um lugar vago na janela. Incorporei Gafanhoto San e pedi
delicadamente para o gigante da direita: ‘Com licença por favor. Vou sentar ali
para vocês ficarem mais a vontade (voz serena e sorriso angelical)’. Por dentro
eu dizia: ‘Saaaaaaai!!!! Alguém vai sentar na porra do lugar que esta vazio.
Saaaaaaai!!!!!’. Desculpe o palavrão gente, mas foi o que pensei. Acho que dei
uma corridinha. Não estou certa. Mas sentei e fechei os olhos até o avião
decolar. Vai que a comissária está acompanhando a operação e me obriga a abortar
a missão?! Pior do que isso... E se ela diz: ‘Querida! Volte para o seu lugar.
Não venha contaminar a first class!!’. Orgulho de mim. Eu sabia que os anos de
treino no Japeri iam servir para alguma coisa. Estou escrevendo este relato
para vocês no conforto da poltrona da janela e sem NINGUÉM do meu lado. E o
melhor: não paguei nada por isso!!!! :)
Que saudade da infância
Meu filho de 5 anos recém completados tem repetido constantemente que quer voltar a ser um bebê fofo. Já está sentindo as responsabilidades da vida de um “menino de 5 anos”. Assistindo a reportagem do Fantástico sobre um casa idealizada por um artista plástico francês, me senti inspirada a voltar na época em que era criança. Que época boa!!! Lembro de ser acordada pelo meu pai para irmos a casa da Vó Maria às 6h da manhã de domingo. Por que às 6h da manhã? Vá saber... Mas levantava toda serelepe. Tomava minha vitamina dominical preparada pelo meu pai para engordar a filha magrela (Caracu com ovo e canela! Acreditem, era gostoso!). Ele conseguiu o queria. Mesmo que anos depois... Mas voltando ao meu domingo perdido em algum cantinho da minha memória, lá ia eu, acordar minha irmã e partíamos para casa da nossa avó paterna. Casa com detalhes tão marcantes. O pé de jenipapo, de carambola, de jabuticaba... Acho que sou capaz de ouvir a voz tão meiga da minha vovozinha. Lembro do cheiro da sua casa. Da cristaleira cheia de porcelanas tão delicadas. Do grande relógio na sala. Do meu avô tenho duas fortes lembranças: o chapéu (sempre impecável) e do chicote, sempre pendurado ao lado da porta. Não sei bem para que ele usava o tal chicote. Para o cavalo, creio eu... Mesmo sem existir mais o tal cavalo, lá estava o imponente chicote. Nos despedíamos com meus avós no portão e bolso cheio de moedinhas. Adorava as moedinhas. Mas não ia lá por conta delas, que isso fique bem claro! Íamos embora com a certeza que encontraríamos minha mãe na cozinha preparando o nosso almoço, servido pontualmente às 11h da manhã. A pia com os legumes, verduras e todos os ingredientes do almoço espalhados por lá. Que lembrança viva. Que saudades de quando era criança. Saudades de todos ao redor da mesa almoçando com UMA garrafa de Simba (quem lembra?). Saudades da tarde preguiçosa que demorava a passar. Saudades de sentir frio à noite e correr para a cama da minha irmã. Saudades de escrever no meu diário. Saudades do cheiro da comida da minha mãe. Saudades do meu pai. Meu filho tem razão. Quero ser criança novamente. Ser adulto é muito hard!!!
Eis que nasce uma mulata
Estava eu lá. Quieta no meu canto no céu. E disse Deus: ‘Vai filha! Vai que esse céu não te pertence mais. Vais para o ventre de uma mulher negra, casada com um brasileiro descendente de italianos, moradores do Rio de Janeiro (só não deixou claro que não era na CIDADE do Rio de Janeiro, e sim num canto tão tão distante no ESTADO do Rio de Janeiro) e vá ser feliz!!!’. Não sei se foi exatamente isso que me disseram quando saí do céu, mas deve ter sido algo parecido. E então minha mãe, salvo engano... brigada com o meu pai, vai para maternidade para o nascimento desse anjinho que vos fala. Vocês já imaginaram como deve ser difícil para uma mulher negra ter uma filha branca (se é que podemos dizer que existe branco no Brasil!), loira de olhos azuis? Sim, loira de olhos azuis. Hoje sou loira por escolha (melhor do que dizer que tinjo o cabelo) e o meus olhos, como são muito indecisos, são verde e mel ao mesmo tempo. Mas focando na minha mãe, ela sofreu muito preconceito. Ouvi diversas vezes ela contar sobre um dia que me levou ao parque e fiquei lá fazendo pirraça e chorando (como toda criança normal faz!) e uma mulher a interpelou dizendo que iria chamar a polícia porque ela devia estar me sequestrando. Eis que aparece o seu salvador: meu pai. Branco, magrelo, alto, cabelos tão lisos que davam nojo, olhos cor de mel e uma educação que beirava a zero. Botou a mulher para correr, lhe dizendo poucas e boas. Esse era o meu pai. Dizia poucas e boas para qualquer um que o aborrecesse. E com este cenário, aprendi desde cedo a defender a miscigenação das raças. Desde pequena, quando percebiam que as pessoas ficavam surpresas ao verem que minha mãe era negra, eu respondia (como a mãozinha na cintura):”Vocês já ouviram falar em pai? Então. Meu pai é branco e minha mãe é negra. Eu tenho a cor da pele, a cor dos olhos e o cabelo do meu pai (tá bem... não tão lisos quanto os dele, mas chega perto!), mas sou a cara da minha mãe. Repare só!”. E as pessoas ficavam surpresas, deixando-se romper a barreira do preconceito, com tamanha semelhança. Esta foi a primeira grande lição da minha vida: não permitir que o preconceito cegue os olhos da nossa alma. Sim, porque os olhos do nosso corpo podem ser enganados. Podem ficar embaçados. Podem até não enxergar nada. Mas os olhos da nossa alma, não. Eles enxergam a essência do que estamos olhando. Eles permitem que enxerguemos além dos olhos físicos. Eles permitem que vejamos o próximo como realmente é. Minha mãe é negra. Me orgulho dela. Meu pai é branco. Me orgulho dele. Ou seja, negro ou branco, não faz diferença. O que importa são as pessoas. Aliás, lembrei de uma aula do primário, quando ele ainda se chamava assim. Um descendente de branco com negro é o que? Cafuso, mulato ou mameluco? Sim! Acertou!!! Muito bem!!! Mulato! Eu sou mulata!!!!! Uhhuuu!!! Branquela, de olhos verdes/mel e MULATA!!!!
E lá vem ela
Olá! (É assim que costumo cumprimentar as pessoas). Meu nome é Giselle e tenho uma vida extremamente comum. Tão comum que é bem capaz que 12 entre 12 pessoas que leiam a minha história, se identifiquem com ela (ou pelo menos parte dela). Tenho 24 anos (mentira, mas é para vocês irem se acostumando que sempre minto a minha idade!), sou casada com o quinto Fabio que namorei (eu sabia que encontraria um Fabio para chamar de meu!), trabalho 12 horas por dia (8 horas como arquiteta de dados e 4 horas como professora universitária), moro na Baixada Fluminense (ok! Não é por escolha. Nasci aqui e fui ficando), sou filha de pais separados (na verdade, eu me separei deles antes deles se separem), tenho uma irmã mais velha (a qual carinhosamente chamo de irmã – óbvio!) e tenho o filho mais lindo e esperto do mundo (você pode achar que o seu é o mais esperto/lindo e eu acho que é o meu, e assim ficamos combinados!). Sou graduada, pós-graduada, mestrada (acabei de inventar esta palavra), corredora (bem menos do que gostaria), turista (sempre que possível, e bem menos do que eu gostaria), esposa/mãe/filha/irmã/tia/
Assinar:
Postagens (Atom)