Quem me conhece sabe que
sou enjoadinha para comer a beça. Não como qualquer coisa, não bebo
qualquer coisa, não como em qualquer lugar (ok! Tem meia dúzia de pés sujos que
fogem a essa regra). E consumir algo dessas barraquinhas de rua então... Aff!
Não dá. Tá certo! Meu passado me condena. Já comi churrasquinho de gato na
Pavuna, já comi podrão (cachorro-quente) da tia da esquina, mas tudo passado...
Envelheci (e velho é cheio de manias) e me tornei mãe (e mãe tem que se cuidar
porque não pode morrer). Pois bem. Hoje, euzinha voltando do trabalho,tomo um “tapa”
no nariz com o cheiro daqueles amendoins açucarados que só vendem na rua. Pelo
menos eu só vejo na rua... Sempre que passo por essas barraquinhas penso: “Que
cheiro bom!”, e quando olho para o “recinto” penso: “Que nojo! Rua, poeira, mão
suja, unha, cabelo, nojo nojo nojo! Nem de graça.”. Mas hoje foi diferente.
Passei, senti o cheiro e, seguindo a orientação das amigas (não vou citar
nomes, elas que se acusem!), falei para a Giselle de dentro de mim: “Cara, você
precisa de anticorpos. Todo mundo come e está vivo. Logo você vai comer e vai
morrer? Coragem! Lembra do lema do dia? FFF (Força, Foco e Fé). Tenha fé. Vá em
frente”. E fui. Pedi o amendoim crocante, cheiroso e quentinho. A tia me
pergunta se é para viagem. Claro que não. Se não perco a coragem. De posse da minha
aventura, paro no semáforo (em plena Presidente Vargas) esperando para
atravessar e sou abordada por dois pivetes. Pelo menos tinham cara, pinta e linguajar
de pivete. Eles pararam do meu lado e eu gelei. Pensei: “Perdi. O que tem na
minha bolsa mesmo? Aff. Maquiagem, documento do carro, minha carteira. Quanto
de dinheiro que tenho? Aff aff aff”. Aí um dos sujeitos vira e diz: “Coé tia!
Paga um amendoim pra rente!”. Vários erros nessa frase: 1- Coé é a mulher do
garfo. Respeito comigo! 2- Tia não porque não sou irmã da sua mãe. 3- Pago não
porque você quer que eu tire minha carteira do bolso para pegar meu dinheiro.
4-Rente é junto, se você não sabe. Claro que isso foi a Giselle do meu interior
que falou para ela mesmo. Eu falei para ele: “Claro meu filho. Toma esse aqui
que está quentinho!”. Sinal verde para
mim. Cheguei do outro lado mais rápido do que uma flecha. Mas deu tempo de
ouvir: “Pô! Tia legal!”.
Moral da história (sim! HISTÓRIA, porque aconteceu de
fato!): Eu não devo comer essas porcarias na rua. Sinal divino.
Isso foi sinal que estava precisando fazer caridade. bjjs
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