Eu penso que todos deveriam ser
professores. Não digo isso porque sou professora. Tá bem! Eu digo isso porque
sou professora e sei do que estou falando.
Juro que o magistério nunca foi o objetivo, mas a vida me jogou numa sala de aula aos 17 anos, quando comecei minha carreira lecionando para escola técnica. Sim... adolescentes! E eu outra
adolescente só que um pouco mais madura (só um pouquinho... Rs). Enquanto
minhas colegas estavam a noite em casa assistindo a novela, eu estava em uma
sala de aula ensinando o pouco que sabia. Não! Péra! Eu não estava ensinando...
Eu estava era aprendendo. Diversos
estudos apontam que a melhor forma de aprender é ensinar. É sério! Se tem
dúvidas, joga aí no Google: A pirâmide
do aprendizado. De acordo com esse estudo, ao utilizarmos a leitura como método para aprender,
retemos 10% do conhecimento, enquanto ao ensinarmos o percentual salta para
85%. Quer evidências? Então me responda: o seu professor chegava na sala de aula
e cuspia qualquer conteúdo? Sem nenhum material? Sem nenhum planejamento? Ok!
Alguns colegas fazem isso mesmo, mas vamos pular porque são exceções. E você
que respondeu sim, foi logo buscar um exemplo desses para me contradizer.
Certamente a maioria dos seus professores chegou bem preparado na academia. E,
sem dúvidas, não foi só com o conhecimento que tinha na cabeça. Só com o conhecimento
adquirido na universidade. Nada disso! Ele se preparou. Ele desenvolveu
estratégias para transmitir esse conhecimento. Ele preparou o discurso. Ele se
preparou para ensinar. E aí, como resultado, quem aprendeu foi ele. Os alunos
também, mas ele aprendeu mais. Que outra profissão conseguiria arrancar de mim
a timidez da adolescência? Aumentar o volume da minha voz? Sim, eu já falei
baixo um dia na vida. Atualmente, depois de 21 anos de carreira (NÃO FAÇAM
CONTAS DA MINHA IDADE! ESTÃO PROIBIDOS!) uso tudo que aprendi em sala de aula, na
minha outra atuação profissional. Além de professora universitária, atuo no
mercado de Tecnologia da Informação (TI). Palestra para 100, 200 ou 300
profissionais no auditório da empresa, me dá um frio na barriga sim, não nego,
mas não é diferente do meu primeiro dia de aula quando olho para turma e vejo
92 alunos ávidos por conhecimento. Certo... Muitos nem tão ávidos assim, mas me
iludo acreditando nisso. Quer desafio maior do que ter que explicar o mesmo
assunto cinco vezes porque o aluno não entendeu da primeira vez, nem da
segunda, nem da terceira? Então quando vou para uma reunião e não me faço
entender, respiro fundo e busco alternativas para isso. Vejam bem! Não digo que
meus colegas de TI que não são professores não possuem habilidades como essas.
Não. Não. Muitos possuem até muito mais. O que pretendo com esse texto é
demonstrar que quando precisamos ensinar (seja algoritmo, seja xadrez, seja
corte e costura) precisamos colocar pra fora habilidades que certamente
possuímos e que não usamos por não ter necessidade. E o que ganhamos com isso?
Sim, dinheiro também (a não ser que seja um trabalho voluntário, o que é ainda
mais lucrativo, se é que me entendem! Se ganha ainda mais ajudando o próximo!).
Mas ganhamos principalmente na nossa formação quanto ser humano. Ter humildade
para ouvir a dúvida do próximo calado e esperar a sua vez de falar. Conseguir
transmitir uma informação com clareza. Seja capaz de criar estratégias para
sair de uma situação desconfortável (comumente chamado de “ter jogo de cintura”).
E, acima de tudo, se sentir realizado ao entrar numa reunião e se deparar um
profissional que já foi seu aluno e saber que tem um pouquinho de você bem
ali... Trabalhando junto! Em parceria! Isso realmente não preço.
E aí? Vai lecionar o que?
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